O que é a Aliança da Redenção?

O QUE É A ALIANÇA DA REDENÇÃO

Anthony Williams Silva da Cruz

            Para que haja uma compreensão da Aliança da Redenção, é necessário que entendamos o relacionamento existente entre as pessoas da Trindade, que é a fonte originadora dessa Aliança. Os céticos podem se perguntar: “qual era a ocupação de Deus antes dele resolver criar o mundo? Essa pergunta pode ser respondida através da compreensão do relacionamento existente entre as pessoas da Trindade.

            Antes de todas as coisas serem criadas, havia um relacionamento entre as pessoas da trindade: o Deus Pai, o Deus filho e o Deus Espírito. Isso nos mostra um plano que é de Eternidade em Eternidade. Originalmente vemos o plano Eterno de Deus se revelando através do relacionamento entre o Pai e o Filho, conforme podemos ver em João 1.1-3: “NO princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. Vemos que nada foi feito sem a presença do “Verbo”, com isso, entendemos que havia uma plena comunhão entre o Pai e o Filho.

            Na atividade criadora vemos a comunhão entre o Pai e o Espírito Santo, onde, em Gênesis 1.1 percebemos a atuação do Pai criando os “céus e a terra”, mas no verso 3 do mesmo capítulo entra em cena o Espírito Santo movendo-se “sobre a face das águas” desta terra que estava sem forma e vazia, o que nos mostra a perfeita sintonia da trindade. Quando o homem foi feito, é perceptível uma possível concordância entre a trindade ao criar o homem conforme a sua “imagem e semelhança”, isso pode ser visto em Gênesis 1.26a: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”.

            Deus não estava inativo antes da criação. Sendo Ele um Deus de atividade eterna. Havia um relacionamento das três pessoas da trindade, uma comunhão perfeita, onde todas as coisas passaram a existir por meio dela. Deus em sua eternidade e imutabilidade traçou um plano perfeito e que não necessita de revisão ou correção. Esse plano envolve a trindade e a criação, mais especificamente a trindade e a humanidade.

            A fonte no qual podemos obter a compreensão da Aliança da Redenção está em Filipenses 2.5-11, onde podemos observar a disponibilidade do Filho em relação ao pedido do Pai, no qual, o pai faz promessas de recompensa ao filho no tocante ao cumprimento da obra da redenção, que tem como propósito final a glorificação do Deus Pai. Vemos com isso que, neste relacionamento há uma honra e glorificação mútua entre pai e filho.

            Deus criou a humanidade para que esta o glorificasse, isso é claramente notado em Isaías 43.7, que diz: todo que é chamado pelo meu Nome, que criei para minha própria glória e alegria, e aos quais dei forma” (KJA). Deus criou o homem à sua imagem e semelhança para este, ter um relacionamento com Ele, semelhante ao da trindade.

            O homem vivia em perfeito relacionamento com Deus, e este na sua atribuição de vice-gerente administrava o Éden (Gn 2.15). Esse relacionamento entre Deus e o homem envolvia obrigação e recompensa, conforme foi com Cristo e o Pai em seu pacto de redenção. O filho entrou em submissão aos preceitos desse acordo de Pacto. Da mesma maneira, a humanidade também tinha que entrar em submissão a esse acordo. A humanidade deveria obedecer aos preceitos da aliança, mas, infelizmente o que ocorreu foi a quebra desse Pacto, onde Adão e Eva comeram do fruto que havia sido proibido por Deus (Gn 3.11). As consequências dessa queda foram sentidas pela serpente, pelo homem, pela mulher, e culminou em maldição sobre a terra.

            A humanidade ficou separada de Deus, a morte passou a reinar, e com isso, necessitava ser redimida para que pudesse entrar novamente em aliança com Deus. Como a natureza caída da humanidade a impedia de redimir-se a si mesma, Deus, por meio do seu plano eterno, proveu os meios redentivos para que ela pudesse entrar novamente em aliança com Deus. Em Gênesis 3.15 podemos observar o protoevangelho da graça, que nos mostra a derrota de Satanás por meio da semente da mulher. Essa promessa de Gênesis 3.15 iniciou na plenitude dos tempos (Gl 4.4) com a vinda do Messias, nascido de mulher, e foi cumprida na Cruz, onde todo o escrito de dívida foi quitado e o domínio das trevas foi rompido para aqueles que entram nessa aliança (Cl 2.14; Cl 1.13), no qual nenhuma condenação há para estes que entraram nela (Rm 8.1). Aqui é vista a atuação do Pai e do Filho, onde o Pai envia o Filho, e o Filho cumpre a obra redentiva.

Essa promessa foi vista anteriormente em outras alianças que são sombra da Aliança da Redenção: Em Adão temos a semente da mulher e as vestes de pele que cobrem a nudez (Gn 3.15,21); vemos a Aliança Noáica onde Deus pede poupa a vida das espécies de animais e também da família de Noé, preservando a humanidade; vemos a Aliança Abraâmica, onde Isaque prefigura a humanidade redimida pelo sacrifício que Deus dá a Abraão para que este seja morto no lugar de Isaque, e este sacrifício prefigura Cristo, e em Abraão, todas as famílias da terra recebem a promessa de serem benditas; vemos o cordeiro pascal em Êxodo na aliança Mosaica, que provê o sangue que livra as casas do espírito que foi enviado para matar os primogênitos; a Aliança Palestiniana em Josué, onde o povo recebe a promessa de herdar a terra prometida, prefigurando a vida eterna na nova Jerusalém prometida; a aliança Davídica, de onde vem a promessa do Messias e seu reinado eterno; e por fim, a Nova e Eterna Aliança que nos foi dada por meio de Cristo, sendo esta a aliança que cumpre o plano da Redenção de Deus e que tem sua origem na relação que há entre os membros da trindade, muito antes da fundação da terra, e é por meio dessa nova e eterna aliança que temos acesso novamente ao plano Eterno de Deus.

Na aliança da Redenção, o Pai se submeteu às obrigações desse pacto provendo as recompensas ao Filho devido fazer a obra da redenção, e o Filho voluntariamente se fez “sem reputação” para cumprir essa obra.

Segundo Charles Hodge, Deus Pai fez oito promessas ao Filho nesse Pacto feito na Eternidade: Deus formaria uma igreja purificada para o seu filho; que o filho receberia o Espírito sem medida; que Ele estaria sempre presente para apoiá-lo; que Ele o livraria da morte e exaltá-lo-ia à sua direita; que Ele enviaria o Espírito Santo a quem Ele quisesse; que toda a vida que o Pai deu a Ele viria a Ele e que nenhum se perderia; que as multidões participariam da Sua redenção e do Seu reino messiânico; que Ele veria o trabalho de sua alma e ficaria satisfeito.

Deus, ao honrar a sua aliança eterna de redenção, tornou Cristo herdeiro das promessas de seu Pai. Esta aliança divina nunca foi violada, e por causa disso, somos beneficiados como herdeiros das promessas de Deus e herdeiros comuns com Cristo.

O fato de Trindade nunca violar sua aliança eterna, é o motivo de sermos redimidos por meio da Aliança da Redenção.

“Ezequiel 36:32a – Não é por amor de vós que eu faço isto, diz o Senhor DEUS”.

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